Resumo executivo
O encerramento do terceiro trimestre de 2026 consolida uma mudança relevante na trajetória dos preços no Brasil. O alívio pontual observado na leitura fechada do IPCA de agosto — que havia registrado -0,32% — deu lugar a uma reaceleração expressiva na prévia da inflação oficial. O IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, acumulando 4,47% na janela de 12 meses e se aproximando do limite superior estabelecido pelas diretrizes operacionais. No âmbito regional da capital paulista, o IPC-Fipe também registrou variação positiva de 0,51%, acumulando 3,41% em 12 meses.
Os principais destaques deste balanço mensal compreendem:
- Aceleração nos preços ao consumidor puxada por tarifas e alimentação: Conforme apurado pelo IBGE, o resultado mensal do IPCA-15 de 0,70% veio acima das expectativas de mercado, que apresentavam um intervalo de 0,37% a 0,66% e uma mediana de 0,55% [1]. Essa pressão decorreu, em grande medida, da alta no grupo Habitação, com destaque para a energia elétrica residencial que ficou 7,42% mais cara [1], acompanhada pela reversão de deflações anteriores em alimentos e pela pressão de passagens aéreas.
- Pressão acentuada na cadeia de custos e no atacado: O IGP-M registrou forte aceleração ao marcar 1,57% no mês, acumulando 3,35% em 12 meses e posicionando-se no 88º percentil dos últimos 10 anos. Essa alta expressiva no atacado coincide com a valorização de matérias-primas globais e com o encarecimento de insumos industriais e agrícolas.
- Choques em commodities energéticas e agrícolas: A cotação do petróleo Brent subiu com força para US$ 113,96, com variação mensal de +26,97% e alta acumulada de +85,75% no ano. No setor agrícola, o índice de commodities IC-Br atingiu 456,24 em agosto, marcando o 96º percentil dos últimos 10 anos. Simultaneamente, os preços internacionais de soja (US$ 442,45) e milho (US$ 213,19) registraram altas mensais expressivas em seus últimos registros.
- Rigidez dos núcleos e serviços sob mercado de trabalho aquecido: A taxa de desocupação permaneceu em 5,30%, situando-se no 6º percentil dos últimos 10 anos, enquanto o IBC-Br registrou avanço mensal de +4,06% em julho. Essa combinação de atividade aquecida e desemprego historicamente baixo manteve a inflação de serviços subjacentes resistente em 5,28% no acumulado de 12 meses [2].
- Deterioração das expectativas e postura do Banco Central: Mesmo com o corte da taxa Selic para 13,75%, o juro real ex-post permaneceu elevado em 9,14%. Diante da reaceleração corrente, as projeções do mercado compiladas no Boletim Focus deterioraram-se: a mediana para a inflação de 2026 passou de 4,99% para 5,01%, rompendo de maneira sustentada o teto da meta oficial de 4,5% [3].
A tabela abaixo sintetiza os principais indicadores de inflação e custos abordados:
| Indicador | Variação no Mês | Variação em 12 Meses | Acumulado no Ano | Percentil (10 anos) |
|---|---|---|---|---|
| IPCA (ago/26) | -0,32% | 4,22% | 3,11% | 4º percentil dos últimos 10 anos |
| IPCA-15 (set/26) | 0,70% | 4,47% | 3,82% | 75º percentil dos últimos 10 anos |
| INPC (ago/26) | -0,32% | 3,98% | 3,17% | 4º percentil dos últimos 10 anos |
| IPC-Fipe (set/26) | 0,51% | 3,41% | 2,60% | 71º percentil dos últimos 10 anos |
| IGP-M (set/26) | 1,57% | 3,35% | 3,45% | 88º percentil dos últimos 10 anos |
| IGP-DI (ago/26) | 0,06% | 2,61% | 2,16% | 43º percentil dos últimos 10 anos |
| INCC-M (set/26) | 0,25% | 6,60% | 5,85% | 26º percentil dos últimos 10 anos |